segunda-feira, 10 de junho de 2013

Gabarito Fisiologia Humana

SISTEMA DIGESTÓRIO
1.
a) Pelos movimentos peristálticos
b) Boca e intestino delgado. A ptialina (produzida nas glândulas salivares) e a amilase pancreática (produzida no pâncreas).
c) No estômago. A enzima é pepsina e o seu pH ótimo de ação situa-se ao redor de 2.
2. A bílis contém sais biliares, que emulsionam lipídios e solubilizam ácidos graxos e gliceróis.
3. A digestão das proteínas seria significativamente afetada, pois é esse ácido que confere ao suco gástrico um pH ideal para a ação da pepsina.
4.Ptialina: pH neutro; pepsina: pH ácido; tripsina: pH básico. Agem sobre as proteínas.
5. Na boca, um pouco do amido do pão converte-se em maltoses, graças à ação da ptialina. No estômago, parte das proteínas da carne converte-se em frações peptídicas, graças à ação da pepsina (protease gástrica). E no intestino delgado, a digestão se completa sob a ação de amilases, maltases, proteases e peptidases do suco pancreático e entérico.; surgem, então, glicoses e aminoácidos, que serão absorvidos.
6. Intestino delgado: produção do suco ent6érico e absorção de  nutrientes;  intestino grosso: reabsorção de água e formação e acúmulo de fezes.



SISTEMA RESPIRATÓRIO
1.
a) O diafragma e os músculos intercostais contraem-se aumentando o volume torácico. Assim, a pressão atmosférica torna-se maior que a pressão interna e o ar penetra nos pulmões.
b) É o processo de oxigenação   do sangue e ocorre nos alvéolos pulmonares.
c) O gás oxigênio é transportado principalmente pelas hemácias,  na forma de oxiemoglobina.
d) O bulbo
e) Nariz ® faringe ® laringe  ® traqueia  ® brônquios  ® pulmões
2. A essa altitude o número de glóbulos vermelhos aumenta. Isso compensa a baixa disponibilidade de gás oxigênio, uma vez que,  com mais hemácias, pode-se efetuar uma captação e um transporte mais eficiente do gás oxigênio existente.
3. O centro respiratório é especialmente sensível às variações de pH no sangue. Assim, quando o teor de CO2 aumenta no sangue, o ritmo respiratório é aumentado para expulsar mais rapidamente o excesso desse gás; o ritmo respiratório também aumenta na carência de gás oxigênio.
4. Não. Quando uma pessoa prende a respiração, o CO2 vai se acumulando no organismo , tornando o pH sanguíneo  cada vez mais ácido. Nessas condições, o bulbo é sensibilizado e estimula de tal maneira a respiração que, depois de algum tempo o indivíduo passa inevitavelmente a respirar.



SISTEMA CARDIOVASCULAR
1. Na pequena circulação o sangue venoso sai do ventrículo, através das artérias pulmonares, e se dirige aos pulmões; uma vez oxigenado, o sangue torna-se arterial e retorna ao átrio esquerdo pelas veias pulmonares. Na grande circulação, a artéria aorta transporta o sangue arterial do ventrículo esquerdo até os tecidos do corpo; o sangue torna-se venoso e retorna ao átrio direito através das veias cavas.
2. Fechada, porque circula exclusivamente através dos vasos; dupla, porque o sangue passa duas vezes pelo coração ao completar um circuito pelo corpo.; e completa, porque o sangue venoso e o arterial não se misturam.
3. A circulação completa caracteriza-se pela não mistura entre o sangue arterial e o sangue venoso. Assim, o sangue que chega aos tecidos é arterial, rico em O2 e compatível com as necessidades dos homeotermos.
4. O glóbulo sai do ventrículo direito e se dirige aos pulmões através das artérias pulmonares, Do pulmão, retorna ao átrio esquerdo, transportado por uma das veias pulmonares. Ë a pequena circulação.
5.
a) Artéria pulmonar, artéria aorta, artéria femoral. Veias cavas, veias pulmonares, (principais)
b) Sangue arterial: artéria aorta e veias pulmonares; sangue venoso: veias cavas, artéria pulmonar.
c) Circulação pulmonar:  artérias pulmonares e  veias pulmonares; Circulação sistêmica: veias cavas e artéria aorta.



SISTEMA EXCRETOR

1.
a) Rins, ureteres, bexiga urinária e uretra.
b) Os néfrons são estruturas especializadas que constituem os rins. São formados pela cápsula de Bowmann, glomérulo de Malpighi, túbulo proximal, alça néfrica, túbulo distal e túbulo coletor.
c) É o extravasamento do plasma sanguíneo, no nível da cápsula de Bowmann.
d) Compreende a passagem do filtrado para o sangue, das substâncias úteis ao organismo; ocorre nos túbulos do néfron (proximal, alça néfrica e distal).
2. Urina. A taxa de glicose diminui porque as células do túbulo do néfron reabsorvem essa susbstância, que, então, passa paera o sangue.
3. 
a) O álcool estimula a produção de urina, com perda excessiva de água, daí a sensação de sede.
b) O álcool bloqueia a liberação de ADH, aumentando o volume de urina.
4.
a) No glomérulo ocorre filtração glomerular e  nos túbulos  do néfron ocorre reabsorção dos nutrientes presentes no filtrado.
b) A glicose é um exemplo de substância que será reabsorvida; a ureia será filtrada e eliminada pela urina.



COORDENAÇÃO FUNCIONAL – SISTEMA NERVOSO

1. O SNC de um mamífero  de um mamífero  é constituído pelo encéfalo (cérebro, cerebelo, ponte e bulbo) e pela medula espinhal.
2.
a) Cérebro: centro dos sentidos, da memória, do pensamento, etc.
b) Cerebelo: regula a tonicidade e o equilíbrio muscular.
c) Bulbo raquiano: conduz impulsos nervosos, é o centro cardiorrespiratório  e regula certos  reflexos, como os da deglutição e da tosse.
3.
a) Medula espinhal.
b) A medula espinhal conduz impulsos nervosos e é sede de certos atos reflexos, como o reflexo patelar.
c) A pessoa pode ficar paralítica.
4. O estímulo (pancada) origina o surgimento de um impulso nervoso, que é conduzido por um neurônio sensorial até o SNC  (medula); na medula a informação adquirida é transformada em ordem de ação; essa ordem é conduzida por neurônios motores até o órgão efetor (músculo da coxa), que se contrai, elevando a perna.
5. O sistema nervoso autônomo  regula as atividades viscerais e divide-se em sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático. O antagonismo se deve à ação de diferentes hormônios liberados nos órgãos regulados por esse sistema ; as fibras nervosas simpáticas liberam o hormônio adrenalina, enquanto as parassimpáticas liberam acetilcolina.
6.
a) Sistema nervoso autônomo.     
 b) Estômago, intestino, bexiga e outros.
7. Sistema nervoso autônomo parassimpático; suas fibras liberam nos órgãos viscerais o neurormônios acetilcolina:

  

SISTEMA FUNCIONAL - HORMÔNIOS

1
a) ADH: neuroipófise; HEC: adenoipófise; tiroxina: glândula tireóidea; insulina: pâncreas; ocitocina; neuroipófise.
b) ADH: regula a reabsorção da água nos túbulos do néfron; HEC: estimula o crescimento; tiroxina: acelera o metabolismo basal; insulina: reduz a glicemia; ocitocina: estimula a contração uterina.
2. O quadro patológico é o diabetes insípido. Nesse caso, a pequena produção de ADH acarreta uma baixa reabsorção de água nos túbulos distais do néfron; em consequência, a urina torna-se muito diluída e volumosa.
3.
a) 1- hipófise; 2- glândula tireóidea; 3- pâncreas; 4- suprarrenais
b) Pretende-se  evitar a ocorrência de bócio (“papo”). A glândula tireóidea tem relação com o procedimento de se adicionar sais de iodo ao sal de cozinha, porque os sais de iodo são necessários para a produção de hormônios nessa glândula; numa alimentação deficiente de sais de iodo, a glândula tireóidea cresce exageradamente, configurando o bócio.
4. O hormônio é a insulina e a glândula é o pâncreas.
5. O hormônio é a adrenalina, que é produzida pelas glândulas suprarrenais.
6.
a) HEC
b) ADH
c) Insulina




Atividade de Fisologia Humana - Terceiros anos

SISTEMA DIGESTÓRIO
1. Considerando a digestão humana, responda:
a) Como o alimento é impelido ao tubo digestório?
b) Em que regiões do tubo digestório o amido é digerido? Quais as principais enzimas que participam dessa digestão e onde são produzidas?
c) Em que região do tubo digestório se inicia a digestão das proteínas? Qual a enzima responsável por essa digestão e qual o seu pH ótimo de reação?
2. (Fuvrest-SP) Qual o papel da bílis no homem?
3. (Unicamp-SP) O suco gástrico é rico em ácido clorídrico, que é secretado pelas células parietais do estômago humano. Ocorrendo uma deficiência na produção desse ácido pelo estômago, o que aconteceria com a digestão gástrica de proteínas? Por quê?
4. Determine o pH ótimo de ação e o substrato sobre o qual agem as enzimas ptialina, pepsina e tripsina.
5. (Fuvest-SP) Bob MacDonald comeu um sanduíche de pão e carne. Descreva o processo de digestão enzimática desses alimentos na boca, no estômago e no intestino.
6. Cite as funções do intestino delgado e do intestino grosso na digestão humana.



SISTEMA  RESPIRATÓRIO
1. Considerando a respiração humana:
a) Explique o mecanismo de inspiração do ar.
b) O que é hematose e onde esse fenômeno ocorre?
c) Como o gás oxigênio é transportado no sangue?
d) Qual é a região do sistema nervoso central que regula o ritmo da respiração?
e) determine a sequência das estruturas que formam o sistema respiratório humano desde o nariz até os pulmões.
2. (Unicamp-SP) Um atleta morador da cidade de São Vicente (SP), que fica ao nível do mar, deveria participar de um evento esportivo em La Paz (Bolívia), as 3 650 metros de altitude. Foi sugerido que ele viajasse semanas antes para aquela cidade. Explique, em termos fisiológicos, o motivo dessa sugestão.
3. (Ufop-MG) Durante um exercício físico, ocorre um aumento do metabolismo e, consequentemente,  aumenta a quantidade de CO2 gerado no organismo. Explique por que o aumento de CO2 pode aumentar a frequência respiratória.
4.(Vunesp) Em condições normais  e encontrando-se desperta, uma pessoa pode parar de respirar na hora em que desejar faze-lo.
a) A pessoa seria capaz de produzir anoxia (falta de oxigênio) total, simplesmente parando de respirar?
b) Justifique sua resposta.



SISTEMA CARDIOVASCULAR
1. (UFU-MG)  Descreva e esquematize a pequena e a grande circulação da espécie humana.
2. Por que se diz que, na espécie humana, a circulação é fechada, dupla e completa?
3. Relacione a circulação completa com a hemoglobina.
4. (Fuvest-SP) Qual o caminho percorrido por um glóbulo vermelho desde o ventrículo direito até o átrio esquerdo de um mamífero?
5. Em relação ao coração de uma mamífero, responda:
a) Como são denominadas as artérias e veias?
b) Em quais vasos circulam sangue arterial e em quais, sangue venoso?
c) Quais vasos participam da circulação pulmonar e quais participam da circulação sistêmica?


SISTEMA EXCRETOR
1. Em relação à excreção humana:
a) Quais os órgãos que formam o sistema urinário?
b) O que é néfron e quais as estruturas  que o formam?
c) O que é filtração glomerular e onde ocorre?
d) O que é reabsorção renal e onde ocorre?
2. (Fuvest-SP) O fluído filtrado dos glomérulos renais para o interior da cápsula de Bowman segue caminho pelo túbulo do néforn. Que nome recebe esse fluído no fim do trajeto?  Por que que a taxa de glicose no fluído diminui ã medida que este percorre o túbulo?
3. (Vunesp) O Novo  dicionário da língua portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, 2ª. Edição, 1986, define “ressaca” , em uma de suas acepções, como “indisposição de quem bebeu, depois de passar a bebedeira”.
a) Por que as pessoas sentem tanta sede quando estão de ressaca?
b) Justifique sua resposta.
4. (Vunesp) Considere as funções do rim humano:
a) Quais os principais processos que ocorrem , respectivamente, no glomérulo localizado na cápsula de Bowman e no túbulo do néfron?
b) Cite uma substância orgânica filtrada que será reabsorvida pelo sangue e dê o nome da principal substância tóxica que será filtrada e posteriormente eliminada pela urina.




COORDENAÇÃO FUNCIONAL – SISTEMA NERVOSO
1. Quais as estruturas que formam o sistema nervoso central de um mamífero?
2. Na espécie humana, cite algumas funções do:
a) cérebro;
b) cerebelo;
c) bulbo raquiano.
3. Em acidentes, se há suspeita de comprometimento da coluna vertebral, a vítima deve ser cuidadosamente socorrida e transportada em posição deitada, de preferência imobilizada. Com esses procedimentos, pretende-se preservar determinado órgão do sistema nervoso central.
a) Que órgão é esse?
b)  Identifique uma função desse órgão no ser humano.
c) O que pode acontecer à pessoa se esse órgão for lesado?
4. (Fuvest-SP) Descreva a sucessão de eventos que ocorre a partir do momento em que um indivíduo sofre uma leve pancada no tendão do joelho, quando está sentado e com a perna pendendo livremente, até a reação consequente.
5. (UMC-SP) Que papel desempenha no organismo humano o sistema nervoso autônomo? Como pode ser dividido e como se dá o antagonismo entre suas partes?
6. (Fuvest-SP) Os batimentos do coração são involuntários e estão sob o controle do sistema nervoso.
a) Qual o ramo do sistema nervoso que executa esse controle?
b) Cite um outro órgão muscular do corpo que é controlado por esse mesmo ramo nervoso.
7. Considere os seguintes efeitos do sistema nervoso autônomo no nosso organismo: diminuição da frequência cardíaca e aumento do peristaltismo. Que ramo do SNA regula esses efeitos? Que tipos de neurormônios suas neurofibras liberam nos órgãos viscerais?


  
COORDENAÇÃO FUNCIONAL – HORMÔNIOS
1. Considere os seguintes hormônios: ADH(hormônio antidiurético), HEC(hormônio estimulante do crescimento ou somatotrofina), tiroxina, insulina e ocitocina.
a) Quais as glândulas responsáveis pela liberação desses hormônios no sangue?
b) Qual a função desses hormônios no sangue?
2. (Ufla-MG) Um indivíduo que apresenta alterações na produção de ADH elimina grandes quantidades de urina muito diluída e, por conseguinte, ingere grandes de água. Explique o fenômeno e dê o nome do quadro patológico descrito.
3. Observe o esquema ao lado


a) Identifique as glândulas endócrinas indicadas por 1, 2, 3 e 4.
b) O que se pretende quando se adicionam sais de iodo ao sal de cozinha? Qual glândula indicada na figura tem relação com esse procedimento? Por quê?
4. (Unicamp-SP) Em 1920, F. Banting e C. Best, na Universidade de Toronto (Canadá), obtiveram a cura de cães que apresentavam altos níveis de glicose no sangue, tratando-os com o extrato de uma glândula. Indique o hormônio e a glândula envolvidos no tratamento dos cães.
5. (Unitau-SP) no filme Expresso da Meia Noite, o ator principal foi preso portanto drogas disfarçadas em sua roupa. A polícia desconfiou dele, pois transpirava, e os batimentos cardíacos acelerados faziam com que ficasse trêmulo. Diga qual o hormônio que o “denunciou” e a respectiva glândula produtora.
6. Cite os hormônios associados com:
a) a acromegalia;
b) o diabetes insípido;
c) o diabetes melito.




quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Introdução ao estado atual do mundo


Introdução ao estado atual do mundo

Jacques Labeyrie

Esse título, “Introdução ao estado atual do mundo”, quer dizer simplesmente: “De que forma representamos hoje o mundo que nos rodeia?” Vou falar aqui sobre as grandes idéias que nos permitem fazer uma representação do cosmos.
Tais representações, é claro, não datam de hoje e remetem a um passado bem distante. Citarei duas enormes conquistas científicas: aproximadamente três séculos antes do início da era cristã, Aristarco de Samos já compreendera, e assim ensinava em Alexandria, que a Terra é redonda, que ela gira em torno de si mesma a cada dia e que gira também, a cada ano, em torno do Sol; um século mais tarde, Eratóstenes, um outro grego do Egito, encontra, por sua vez, um meio para medir o raio da Terra — e portanto sua circunferência — com uma precisão bastante razoável.
Num campo mais geral, Demócrito (por volta de 400 a.C.) e depois Lucrécio (por volta de 60 a.C.) conceitualizam a existência dos átomos por pura intuição. No Ocidente cristão, ao contrário, durante os quinze séculos subseqüentes, ninguém parece interessar-se pelo conhecimento do cosmos, nem sequer pelo das leis naturais.
Vem depois um despertar: o Renascimento. As descobertas começam a ganhar impulso. Para limitarmo-nos ao campo do cosmos: Nicolau Copérnico — dezessete séculos depois de Aristarco — redescobre que o Sol encontra-se no centro do universo (heliocentrismo), O alemão Johannes Kepler elabora suas três leis sobre a revolução dos planetas. Galileu, perto de Florença, observa pela primeira vez a Lua e os maiores satélites de Júpiter com a ajuda de um telescópio; ele também faz experiências sobre a queda dos corpos. Isaac Newton, em Londres, compreende por sua vez que a luz branca compõe-se de luzes coloridas e também que a matéria atrai a matéria (teoria da atração universal), mesmo a distância, o que é uma idéia extraordinária. Olaüs Römer, no Observatório de Paris, descobre que a luz tem uma velocidade e consegue medi-la. O francês Pierre Simon de Laplace imagina que o sistema solar é originário de uma nuvem de poeira cósmica. Foram todos esses gigantes do pensamento científico que construíram nossa atual concepção do cosmos...
Mais próximas de nós, pois elas datam de 1930, temos as observações do americano Edwin Hubble mostrando que a coloração avermelhada do espectro das estrelas e das galáxias é proporcional a distância das mesmas. Ou o universo está em expansão, ou então uma interação ainda desconhecida afeta, a longo prazo, a energia dos raios luminosos. Se o universo está em expansão, em que ele vai se transformar? Será que um dia ele deixará de crescer? Mas, se ele está em expansão, é porque um dia ele foi menor, portanto mais condensado e, por conseguinte, mais quente. Quais foram então os primeiros estados do universo? Teria ele sido uma espécie de gás incrivelmente quente e comprimido? A resposta, no momento, não está ao alcance dos meios de previsão da física atual.
Além de nosso universo atual, teria restado dessa explosão original uma irradiação eletromagnética que, mesmo bastante intensa, é forma¬da apenas de partículas de luz (fótons) possuidoras de urna energia ínfima, como se tivessem sido produzidas por uma matéria à temperatura próxima do zero absoluto. Essa bela teoria do Big Bang não merece de fato o qualificativo de teoria, pois baseia-se sobre fenômenos que são, em sua maioria, puramente imaginários, resultantes de ex-trapolações das aquisições no campo da física das partículas elementares. Entre¬tanto, ela conhece uma onda de sucesso considerável, o que mostra bem que a representação do cosmos, como em épocas anteriores, compreende ainda hoje uma enorme parcela de sonho.
Diversas descobertas recentes alimentam o desenvolver da física moderna. Uma das mais impor-tantes foi feita por John Dalton, no início do século XIX, em Manchester: ele reinventou a teoria atômica, que passou a se fundamentar, a partir de então, sobre medidas reais. Cem anos mais tarde, ainda em Manchester, Ernest Rutherford descobriu o núcleo do átomo e a maneira pela qual se pode transmutá-lo, descobrindo também, portanto, como se faz sua síntese. A análise dos espectros da luz das estrelas já ensinara, por outro lado, que não existem no mundo outras espécies atômicas além daquelas que temos na Terra. Desde então, física e cosmogonia não passam de urna mesma ciência, bastante popular, o que é um testemunho da inclinação sensível dos homens pelo puro conhecimento do universo.
O conhecimento da superfície dos planetas fez alguns progressos desde que dispomos de sondas espaciais. Alguns desses engenhos foram enviados a três planetas: Lua, Marte e Vênus. E até mesmo doze homens, no total, já foram enviados à Lua. Também já se foi sondar de perto quatro outros grandes planetas e alguns de seus satélites. Graças às medidas isotópicas obtidas em laboratório a partir de amostras, sabe-se que a Lua, Marte e os meteoritos têm a mesma idade que a Terra: 4,5 bilhões de anos (e temos quase certeza de que isso também é válido para todos os outros planetas, até mesmo o próprio Sol).
Quatro anos antes do início do século XX, a descoberta da radioatividade da matéria, no museu de história natural de Paris, permitiu também compreender de onde vem o calor das estrelas: elas queimam sua própria matéria. Nosso Sol, por exemplo, produz 3,8 x 1033 ergs por segundo e queima para isso, ao mesmo tempo, 4,2 milhões de toneladas de hidrogênio (ou, mais exatamente, transforma-as em hélio). Mais tarde, quando envelhecerá, nosso Sol sintetizará outros átomos, especialmente os que são indispensáveis à vida: carbono, azoto, oxigênio, enxofre etc. (mas não os que são mais pesados que o ferro), graças às temperaturas de diversos milhões de graus que a gravitação gerou em sua região central. Esses átomos vão evaporar-se pouco a pouco da estrela sob a forma de um vento solar. É portanto aí, no ventre de estrelas semelhantes, que se constituiu pouco a pouco a matéria de que é feito o universo.
Sabemos também de onde vêm os outros átomos, os mais pesados. Foi no momento da fase final da vida das estrelas mais pesadas, numa explosão resplandecente, que ocorreu, num instante, a síntese desses átomos que seriam, depois, projetados no espaço em forma de pó. Esse pó de átomos vindo de múltiplos sóis, reagrupado bem mais tarde em nuvens delgadas nos cantos sombrios da galáxia, servirá para reformar um dia, graças à gravitação, novos sistemas solares. Os átomos pesados não foram criados de forma contínua, como os leves, mas em explosões grandiosas, e é isso que chamamos de “supernovas”. A parte externa da estrela que compreende esses átomos pesados é então projetada no espaço numa velocidade de alguns milhares de quilômetros por segundo e, durante vários milenários, ela continua a expandir-se. Por exemplo, uma explosão como essa foi visível da Terra durante o verão de 1054. Ela brilhou então como uma Lua cheia durante diversos meses e, ainda hoje, pode perceber-se sua nuvem com a ajuda de uma boa luneta. No ponto em que se encontrava o centro da supernova, criou-se uma pequena maravilha, um minúsculo resíduo de matéria de um tipo extraordinário: o pulsar. Ë um aglomerado de nêutrons, de uma densidade espantosa, rodopiando loucamente sobre si mesmo, envolto por campos magnéticos de uma intensidade inconcebível e que deverá emitir durante milenários, em enorme quantidade, toda a gama de partículas luminosas, os fótons, desde os raios gama e X até as ondas rádio,
Mas passemos a uma outra escala, passemos a dimensões dezenas de milhares de vezes maiores e veremos então que as galáxias, pelo menos as mais jovens, contêm igualmente uma maravilha. Ë provavelmente perto do centro delas, num pequeno volume em que a matéria atinge uma abundância e uma concentração que são talvez dezenas de milhares de vezes maiores que as dos pulsares, que se engendra o quasar, um emissor ainda mais prodigioso de fótons, visível a milhares de anos-luz de distância. Nesse campo, nossa física ainda é insuficiente. Podemos ver esses quasares, mas por enquanto ainda é impossível explicar seu mecanismo.
O estudo do cosmos longínquo permitiu a observação de fatos que modificaram significativamente nossa visão do mundo, mesmo se temos dificuldade para compreender certos fenômenos que estão muito aquém do que pode ser realizado em nossos laboratórios. Mas esses fenômenos imensos e longínquos não são os únicos a nos intrigar. Assim, desde o início do século XX, o impacto da teoria da relatividade geral de Albert Einstein sobre a cosmogonia tornou-se considerável, sobretudo após a verificação do fato que um raio luminoso tangente ao Sol sofre um desvio, o que significa que um fóton tem realmente uma massa, como Einstein havia previsto. Por volta de 1990, foram descobertas as imagens gravíficas de uma galáxia longínqua, criadas pela massa de uma galáxia situada entre ela e a Terra, o que confirma mais uma vez esta propriedade de os fótons terem realmente uma massa.
Desde o início do século XX impôs-se também no campo da física o estudo das partículas elementares da matéria (os átomos e os elétrons, antes de mais nada) e da luz (os fótons). Nesse mundo dos objetos considerados um por um, as belas certezas de outrora desapareceram. Tais certezas deviam-se ao fato que a menor partícula de matéria que conhecíamos então, o menor fluxo de luz que tínhamos o hábito de levar em consideração, a menor corrente elétrica que éramos capazes de medir eram formados, no mínimo, por um número imenso de elementos. É muito difícil observar esse mundo do individual que temos tendência a chamar de mundo quântico e que na maioria das vezes é muito pequeno. E é ainda mais difícil encontrar as leis que o regem. Mas as aplicações dessas observações já são de grande importância e ultrapassam provavelmente as que resultaram das descobertas das leis da termodinâmica e depois as do eletromagnetismo, no início do século XX,
Uma das conseqüências mais evidentes desses novos estudos é verificável rio campo dos semicondutores e do desenvolvimento quase imediato da informática que ocorreu em seguida. Todo um domínio, o dos cálculos de todos os tipos, foi revolucionado em alguns anos; um outro campo, o da imprensa, do rádio, do telefone, também está sendo, pois hoje em dia pode-se encontrar e difundir praticamente todo tipo de informação a partir do momento em que ela tenha sido publicada em algum lugar. Pode-se também, agora, estabelecer uma comunicação com quem quer que seja, em qualquer ponto do globo, e na hora desejada.
Essa mudança atinge ainda pouca gente. Mas os que estão a par de tais inovações têm a impressão bastante nova de que a superfície da Terra encolheu e não somente por meio dos pro-gressos enormes das técnicas que permitem, por exemplo, que em menos de dois dias de viagem seja possível transportar-se para o ponto mais distante de nosso planeta.
A maioria das crianças que freqüentam a escola e às quais são ensinadas essas conquistas recentes do conhecimento não tem, ao que pare¬ce, nenhuma dificuldade para interessar-se pelas mesmas e dominá-las. Mesmo quando o aspecto lúdico não existe e, mesmo ainda, quando as crianças são informadas somente pelas revistas populares ou pela televisão, elas se apaixonam de bom grado por conhecimentos tão abstratos quanto a astrofísica e até mesmo pela física quântica ou ainda pelas novas ciências da Terra ou ciências biológicas. Freqüentemente, essas crianças estão decididas a aprofundar seus conhecimentos nestes campos mais tarde, quando serão adultas. Creio que as coisas não se passavam assim outrora, quando numa escola austera, quase que única dispensadora de conhecimento, as crianças entediavam-se com a rigidez da cosmografia ou com o ensino da matemática, porque se esqueciam de dizer-lhes que tais ciências não passam, em grande parte, de um maravilhoso instrumento para simplificar o conhecimento das leis naturais. Há algumas décadas, um novo ar paira sobre o ensino, ao que me parece. Há ainda um outro progresso: este conhecimento encontra-se hoje ao alcance de muito mais pessoas do que antes. Diante de tudo isso, penso que podemos nos alegrar.

A Religação dos Saberes- Edgar Morin



Uma Introdução ao Conhecimento Científico e Biológico

O ensino das Ciências Naturais, está vinculado de alguma forma  aos princípios e às leis enunciadas por Newton, à geometria de Euclides, aos referenciais de Descartes e aos postulados do positivismo de Augusto Comte, os quais já foram acrescidos de muitos outros conhecimentos e teorias que precisam fazer parte da realidade e das pesquisas educacionais.

Hoje, os cientistas esforçam-se para resgatar princípios que foram marginalizados e que muito podem contribuir para a construção de novos conhecimentos. 

Pode-se perceber que as componentes curriculares que integram as Ciências da Natureza estão cada vez mais dependentes entre si e com a Matemática, a Filosofia e a Linguagem, deixando de ser apenas disciplinas descritivas e classificatórias e apresentando-se como elementos questionadores e inquiridores.

O mundo que antes se pensava ordenado, estático, obediente e submisso, mostra-se cada vez como algo caótico, mutável e sujeito à dinâmica energética que perpassa e expressa os conceitos de corpo, matéria e fenômeno.

A Biologia olha para os corpos vivos como sede de interações as mais diversas e como potencial de possibilidades de reordenamento e reorganização diante dos desafios que as condições ambientais lhes impõem.